Relatório americano aponta vantagens da cogeração
A produção simultânea de energia elétrica e vapor eleva a eficiência térmica de uma instalação a 85% ou mais
14 de maio de 2009
Em nossa seção “Cogeração – Descrição do Sistema”, uma apresentação didática do tema, definimos cogeração como sendo a produção conjunta de trabalho mecânico e calor utilizável, a partir da queima do mesmo combustível. O trabalho mecânico é em geral usado para acionar geradores de eletricidade, mas poderá ter outras finalidades, como o acionamento de compressores, ou mesmo a propulsão de navios. O calor é quase sempre utilizado para obtenção de vapor de processo, ou água quente para aquecimento.
A produção simultânea de energia elétrica e vapor eleva a eficiência térmica de uma instalação a 85% ou mais, o que se compara a menos de 60% em usinas térmicas convencionais de ciclo combinado. É claro que esta diferença reflete-se no menor uso de combustível e redução do impacto ambiental, com sensível diminuição das emissões gasosas. É verdade que vapor e água quente não podem ser levados a grandes distâncias sem perdas consideráveis, o que restringe a localização das instalações, e que ainda subsistem dificuldades na venda da energia excedente à rede e entraves regulatórios, tributários e burocráticos.
Em uma época em que os problemas energéticos e ambientais assumem uma relevância crescente, a cogeração – eficiente termicamente e amigável ao ambiente – ainda não chegou aos níveis que dela se esperavam há alguns anos, especialmente no Brasil. Há, porém uma renovada expectativa mundial pelo assunto, e vários trabalhos têm sido divulgados, apontando para o firme futuro da cogeração, mormente com o uso do gás natural como combustível.
Entre eles, ganha destaque o relatório recentemente divulgado, feito pelo Departamento de Energia americano (DOE), através seu grupo Industrial Technologies Program (ITP), em conjunto com o Oak Ridge National Laboratory (ORNL), e envolvendo ainda associações de indústrias e centros de estudos não-governamentais. O trabalho, cujo título é “Combined Heat and Power: Effective Energy Solutions for a Sustainable Future”, aponta a cogeração (CHP, como é usualmente chamada em inglês) como a tecnologia que melhor proverá o aumento da eficiência energética americana, trazendo contigo o crescimento econômico da infraestrutura elétrica do país.
O documento se propõe a examinar o que seria o cenário energético americano se for atingida a meta ambiciosa de, em 2030, os sistemas de cogeração representarem 20% da capacidade geradora do país. À pergunta (“What if 20% of US generating capacity came from CPH?”), o relatório propõe as seguintes respostas:
- As emissões de CO2 seriam reduzidas em 80%
- Haveria uma economia de 5,3 quatrilhões de Btu por ano, equivalentes à metade do total consumido hoje pelas residências americanas
- Seria obtida a viabilidade econômica da utilização da cogeração em indústrias, edifícios comerciais, residências multi e unifamiliares, colégios, hospitais, etc.
- Investimentos superiores a US$ 200 bilhões seriam realizados, com criação de um milhão de empregos especializados.
Parece muito? De fato, parece, mas você pode tirar suas dúvidas examinando o texto completo do relatório (http//www.eere.energy.gov/industry/distributedenergy), ou através do artigo “US CHP report released”, na revista “Cogeneration & On-Site Power Production” (COSPP). Confira.
Fonte: Luis Olavo Dantas, abril/09. Reproduzido do website GasNet em http://www.gasnet.com.br/conteudos.asp?cod=6086&tipo=Artigos&categoria=4