Conheça um pouco mais sobre as iniciativas em pról da cogeração que acontecem no Estado do Rio de Janeiro.
Refinaria Nacional de Sal
Fábrica, que possui unidade de co-geração desde 1950, aumentará capacidade de geração de energia com a aquisição de uma nova caldeira e estuda a viabilidade de uma grande expansão nos próximos anos
23 de julho de 2008

Refinaria Nacional de Nal
Desde a década de 1950, a Refinaria Nacional de Sal S. A., localizada nas salinas de Cabo Frio, no litoral do Rio de Janeiro, possui em sua fábrica uma unidade de co-geração movida a gás natural. Naquela época, a produtora do Sal Cisne e também do Sal Clipper tinha um produção reduzida, de aproximadamente 30 toneladas de sal por dia, e no entanto já possuía uma capacidade de co-geração, apesar de baixa, que acompanhou o ritmo de crescimento da empresa.
Atualmente, a refinaria possui três caldeiras Conterma, duas com geração de vapor igual a 33 toneladas por hora e outra com capacidade de gerar 45 toneladas por hora, além de três grupos geradores Dedini modelo H32, cada turbina com 1500 KW de potência. Normalmente, a fábrica opera com duas turbinas em paralelo e duas caldeiras, além de outra reserva. As caldeiras geram vapor com pressão de 24 kg/cm², com uma geração média de 30 toneladas por hora.
Com essas instalações, são geradas aproximadamente 2,5 MW de energia elétrica, que são utilizados para consumo interno, e cerca de 0,4 MW são comprados na concessionária em determinados horários dos dia. Hoje, a fábrica possui capacidade instalada de 800 toneladas de sal por dia e capacidade produtiva entre 600 a 650 toneladas diárias.
“Nossa unidade de co-geração funciona da seguinte maneira: o gás natural queima na caldeira, gera vapor que expande na turbina e produz energia elétrica utilizada para o aquecimento da salmoura. A fábrica tem evaporadores a vácuo de múltiplo efeito que fazem o aquecimento da salmoura. A salmoura evapora e gera o sal, e retorna o condensado para dentro da caldeira, fazendo o ciclo combinado”, explicou Maximilian Bosch Filho, diretor industrial da Refinaria Nacional de Sal.

Unidade de co-geração da fábrica
Ele frisou ainda que, no caso específico da refinaria, a decisão pelo uso da co-geração não foi simplesmente uma questão de economia com os custos em energia, mas sim de sobrevivência para a empresa. “Ou faz uso da co-geração ou não se faz nada. Aliás, no início do funcionamento da fábrica, certamente não havia fornecimento seguro de energia elétrica. Então, este era mais um motivo para na época também ser essencial o uso da co-geração na refinaria”, disse.
Planos de expansão para a unidade de co-geração
A Refinaria Nacional de Sal pretende realizar dois planos de expansão na unidade de co-geração da fábrica. O primeiro é em curto prazo, com o negócio já concretizado. Em outubro deste ano, a empresa receberá uma nova caldeira que opera com maior pressão. O novo equipamento gerará 30 toneladas por hora de vapor, com pressão de 32 kg/cm². Com isso, espera-se que a capacidade de geração de energia elétrica aumente dos atuais 2,5 MW para aproximadamente 3,5 MW. Em outras palavras, este aumento significará a absorção da baixa necessidade de compra da concessionária e possibilitará um pequeno excedente de energia elétrica para venda.
“Acreditamos que o mercado, de uma forma geral, tem a expectativa de que o custo da energia elétrica vai aumentar nos próximos anos devido à esperança de crescimento do país. Avaliamos que a energia hidráulica não vai acompanhar esse crescimento e a demanda será suprida com energia térmica e, com isso, o custo de energia do mercado vai subir. Então, temos um potencial de gerar mais energia elétrica a partir do nosso consumo de vapor, na nossa produção de sal”, explicou Bosch.
Em longo prazo, a empresa estuda a viabilidade de realizar um projeto de expansão de maior porte. A idéia é ter uma disponibilidade de venda de excedente de 4 a 5 MW de energia elétrica, através da aquisição de equipamentos mais modernos e com maior capacidade de geração como caldeiras de maior pressão, acoplar uma turbina a gás e caldeira de recuperação. Atualmente, a refinaria trabalha com um horizonte de um custo de energia gerada na faixa de R$ 50,00 por MW e um custo de venda na faixa de R$ 130,00 por MW.
“Encaramos a co-geração como uma possibilidade de gerar uma receita adicional e importante para a empresa, em paralelo ao nosso negócio de sal, que é a nossa área de trabalho. Para isso, estamos estudando como funciona o negócio da co-geração. A princípio a idéia é vender diretamente para a concessionária e, num prazo mais longo, veremos o que é possível fazer como, por exemplo, vender no leilão de energia. A questão toda é a equação do custo de investimento e o retorno que isso vai ter pela rede de energia”, afirmou.